Candidatos do Rio usam WhatsApp e SMS em campanha eleitoral

Em busca de votos, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que disputam o Palácio Guanabara, estão enviando mensagens para os celulares dos eleitores fluminenses.

Em campanha pela reeleição, Pezão manda pelo aplicativo WhatsApp um vídeo no qual promete, entre outros pontos, melhorar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e expandir o metrô até Madureira, na Zona Norte do Rio. Em mensagens de SMS, Garotinho remete ao eleitor um texto curto em que diz apenas que “o governador do povo vai voltar”, além de informar seu número de urna.

Os telefones que disparam o texto do candidato do PR têm DDD do interior de São Paulo e da região de Porto Alegre. O número que manda a mensagem do governador do Rio é dos Estados Unidos.

No vídeo que envia por meio do aplicativo, Pezão convida o eleitor a visitar sua página no Facebook e conhecer seu plano para o futuro do estado. Em seguida, faz promessas:

— Na capital, vamos garantir e melhorar as UPPs e levar a pacificação para mais gente. Vamos contratar novos médicos e expandir o metrô até Madureira.

Se o eleitor reclama de ter recebido o vídeo ou escreve algo em resposta, um texto informa que aquela mensagem é automática e que não deve ser respondida. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) confirmou ao GLOBO que recebeu anteontem as primeiras denúncias sobre candidatos que usam o WhatsApp para disparar textos. Até o momento, foram seis. Como as denúncias ainda serão analisadas, o tribunal não informou se todas elas se referem a mensagens enviadas por Pezão.

A assessoria de campanha do governador informou que a empresa responsável pelas ações digitais na campanha é a Cara de Cão. Ao ser questionada sobre os gastos de contratação da empresa para envio das mensagens no WhatsApp, a assessoria respondeu que “quando houver a prestação de contas, serão incluídos os gastos com ações digitais”. Ela argumentou ainda que “a campanha por meio de mensagens eletrônicas e redes sociais é permitida pela legislação eleitoral”.

Assim como a campanha de Pezão, assessoria de Garotinho afirmou que o envio de SMS e de WhatsApp é permitido e que o que está proibido é o uso do telemarketing. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do candidato do PR não havia repassado informações sobre a empresa contratada para disparar as mensagens nem quanto gastou com ela.

RESOLUÇÃO QUESTIONADA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou em fevereiro resolução para eleição deste ano em que vetou a realização de propaganda via telemarketing, em qualquer horário. O texto, no entanto, não traz qualquer referência ao uso de WhatsApp e mensagens de SMS. A resolução foi questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PTdoB. Entre os argumentos apresentados pelo partido está o de que a regra “não tem amparo em legislação emanada pelo Congresso Nacional”.

— Na verdade, o TSE determinou a proibição de telemarketing, mas não definiu o que é telemarketing. A lei eleitoral não proíbe o telemarketing. Foi o TSE que proibiu na resolução — afirmou Silvana Batini, que esteve à frente da Procuradoria Regional Eleitoral do Rio na eleição de 2010: — Quando o TSE baixou a resolução que veta o telemarketing, estava pensando na ligação, não em SMS nem em WhatsApp. Então, não tem regulamentação nenhuma a respeito disso. Tenho a impressão de que cada TRE vai julgar de uma maneira.

Nenhum partido consultou o TSE sobre o uso do WhatsApp e SMS. A resolução que proibiu o telemarketing permite mensagens eletrônicas, desde que ofereçam um dispositivo que permita o eleitor se descadastrar para não receber mais o conteúdo.

Em princípio, a Procuradoria no Rio deve tratar as mensagens no WhatsApp como as mídias sociais e não como telemarketing, porque existe a possibilidade de o eleitor bloquear o número que envia os textos. Ainda assim, a análise será feita caso a caso.

Pastor Everaldo pode ser decisivo para levar disputa ao segundo turno



Se candidato a presidente com o nome de batismo, Everaldo Dias Pereira (PSC) talvez fosse apenas mais um daqueles outros oito que só aparecem acompanhados da expressão nanico. O foco da eleição está nos três primeiros colocados, vistos com chance de vitória. Sua diferença é que registrou a chapa como sendo o candidato Pastor Everaldo. Tem conseguido três ou quatro pontos nas pesquisas basicamente por isso. Mesmo que não o conheçam, eleitores optam por ele por se identificar como pastor.

Os evangélicos somam 27% do eleitorado, conforme pesquisas recentes. Um terço dos eleitores é uma fatia gigantesca. Não é um absurdo projetar que se tornarão força política cada vez mais relevante nos pleitos. No Nordeste, já são 34%. Nas regiões metropolitanas, 29%.

Em eleições presidenciais passadas, as diversas igrejas evangélicas dividiram-se. O mesmo deve se repetir agora. Mas há pelo menos quatro grandes grupos evangélicos apoiando o Pastor Everaldo. Deve crescer até outubro. Se crescer mais três ou quatro pontos, pode ser fundamental para levar a disputa para o segundo turno e tornar seu apoio nele relevante.

Entre aqueles que se dizem evangélicos, o Pastor Everaldo tem 61% das intenções de votos. Dilma (PT) tem 20%, Eduardo Campos (PSB) _por causa de Marina Silva_ fica com 18% e Aécio Neves com 15%.

Pastor Everaldo tem uma plataforma socialmente conservadora. Só admite casamento entre homens e mulheres e é contra o direito ao aborto, claro. Mas é um liberal no campo econômico, defendendo o empreendedorismo, o “fim de quaisquer restrições à propriedade privada” e pregando redução de impostos. Tem também o capital como seu senhor. E este não costuma ignorar quem reza por seu credo.